meus amores

segunda-feira, 21 de março de 2011

DEPOIS DE MUITO AMOR.


A mulher somente despreza quem ela amou demais. Não é qualquer homem que merece, não é qualquer pessoa. Pede uma longa história de convivência, tentativas e vindas, mutilações e desculpas. O desprezo surge após longo desespero. É quando o desespero cansa, quando a dúvida não reabre mais a ferida.

É possível desprezar pai e mãe, ex-esposa ou ex-marido, daquele que se esperava tanto. Não se pode sentir desprezo por um desconhecido, por um colega de trabalho, por um amigo recente. O desprezo demora toda a vida, é outra vida. É nossa incrível capacidade de transformar o ente familiar num sujeito anônimo.

Assim que se torna desprezo, é irreversível, não é uma opinião que se troca, um princípio que se aperfeiçoa. Incorpora-se ao nosso caráter.

Desprezo não recebe promoção, não decresce com o tempo. Não existe como convencer seu portador a largá-lo. Não é algo que dominamos, tampouco gera orgulho, nunca será um troféu que se põe na estante.

Desprezo é uma casa que não será novamente habitada. Uma casa em inventário. Uma casa que ocupa um espaço, mas não conta.

É a medida do que não foi feito, uma régua do deserto. A saudade mede a falta. O desprezo mede a ausência.

O desprezo não costuma acontecer na adolescência, fase em que nada realmente acaba e toda vela de aniversário ainda teima em acender. É reservado aos adultos, desconfio que deflagre a velhice; vem de um amor abandonado. Trata-se de um mergulho corajoso ao pântano de si, desaconselhável aos corações doces e puros, representa a mais aterrorizante e ameaçadora experiência.

Indica uma intimidade perdida, solitária, uma intimidade que se soltou da raiz do voo.

O desprezo é um ódio morto. É quando o ódio não é mais correspondido.

Não significa que se aceitou o passado, que se tolera o futuro; é uma desistência. Uma espécie de serenidade da indiferença. Não desencadeia retaliação, não se tem mais vontade de reclamar, não se tem mais gana para ofender. Supera a ideia de fim, é a abolição do início.

Não desejaria isso para nenhum homem. O desprezado é mais do que um fantasma. Não é que morreu, sequer nasceu; seu nascimento foi anulado, ele deixa de existir.

O desprezo é um amor além do amor, muito além do amor. Não há como voltar dele.


Fabricio Carpinejar http://carpinejar.blogspot.com/

9 comentários:

Hely ° disse...

Realmente...é preciso ter sentido algo muito
forte, algo que morreu e ressucitou no desprezo.

Bjaum.*.*.

Hely ° disse...

Tenho que comentar de novo devido a isto:
“Me elogia, vai!
Escreve um troço, aí!
Não dói não; faz de conta
Que eu morri.”

tive que rir...rsrsrs...e comentar denovo...

Cássia Cardoso disse...

*_* Lindo Texto *_*
Seguindo teu blog,segue ai tbm.
http://beautyblack2.blogspot.com/
=^.^= Paz!
@CassiaCardoso

ativista disse...

Ola Zina lindo texto.
Da hora teu blog heim.
parabéns.
Seguindo certo,me segue ai tbm.
http://hiphopactivistface.blogspot.com/
abçs
@Ativista2

Malu disse...

Zina,


Concordo plenamente , o desprezo é
a pior coisa que podemos sofrer ...



Bjo Imenso e um Dia cheio de Paz e Amor.

Denise Portes disse...

Zina,
Muito bonito e verdadeiro seu texto. Quanto ao post do delírio da bruxa, "Eu gosto de ser mulher", claro que pode postar aqui.
Um beijo, com carinho
Denise

Zil Mar disse...

Oi Zina...

Que texto profundo!!!!

Concordo inteiramente.....

meu carinho querida!

Zil

Mariz disse...

Boa noite querida,

A mulher qdo ama, esgota todas as possibilidades e ao chegar ao seu limite é q toma uma atitude de desprezo.


mil beijos e ótima noite!

Paula Figueiredo disse...

Texto lindo e verdadeiro. Blog lindo e tocante. Música trancendental! Nunca ouvi antes e falou (com surpresa) ao meu coração. Todos as trilhas caminham pra gente se achar. Amei!
Abraço!

E vamos confiar na vida! :)