meus amores

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quarta-feira, 14 de março de 2012

E porque hoje é o dia nacional da poesia, minha homenagem vai pro meu poeta preferido.

Quando eu me for, os caminhos continuarão andando.
E os meus sapatos também!
Porque os quartos, as casas que habitamos,
Todas, todas as coisas que foram nossas na vida
Possuem igualmente os seus fantasmas próprios,
Para alucinarem as nossas noites de insônia!



[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]

terça-feira, 31 de maio de 2011

QUINTANEANDO...

DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!


Mário Quintana

domingo, 15 de maio de 2011

ESPERANÇA.



Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


"Nova Antologia Poética", pág. 118, Ed. Globo - S. Paulo, 1998.


quarta-feira, 16 de março de 2011

DAS IDÉIAS




Qualquer idéia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez, que vestir a verdade
Que dentro em ti se achava inteiramente nua...


Mário Quintana.

sábado, 5 de março de 2011


Há um grande silêncio que está sempre à escuta.
E por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala
o silêncio escuta...
e cala.


Mario Quintana

domingo, 6 de fevereiro de 2011

AS COVAS


O bicho,
Quando quer fugir dos outros,
Faz um buraco na terra.

O homem,
Para fugir de si,
Fez um buraco no céu.



Mario Quintana - Nova Antologia Poética

domingo, 2 de janeiro de 2011

Oração

Dai-me a alegria
Do poema de cada dia.
E que ao longo do caminho
Ás almas eu distribua
Minha porção de poesia
Sem que ela diminua...
Poesia tanta e tão minha
Que por uma eucaristia
Possa eu fazê-la sua
"Eis minha carne e meu sangue!"
A minha carne e meu sangue
Em toda a ardente impureza
Deste humano coração...
Mas, á Coração Divino,
Deixai-me dar de meu vinho,
Deixai-me dar de meu pão!
Que mal faz uma canção?
Basta que tenha beleza...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Recordo ainda.

Recordo ainda...e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iludai o velho que aqui vai,

Quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino...acreditai...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

Mario Quintana!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"Na convivência, o tempo não importa.
Se for um minuto, uma hora, uma vida.
O que importa, é o que ficou deste minuto,
desta hora... desta vida..."

Mario Quintana

domingo, 13 de junho de 2010

SE O POETA FALAR NUM GATO

Foto Liane Alves

SE O POETA FALAR NUM GATO.

Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade...
se falar numa esquina mal e mal iluminada...
numa sacada... num jogo de dominó...
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade...
se falar na mão decepada no meio de uma escada de caracol...
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá... Que importa?
Todos os poemas são de amor!

Mário Quintana.

terça-feira, 20 de abril de 2010

AS Mãos de meu pai

As Mãos de Meu Pai
As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre
cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,essa beleza que se
chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua
cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste
alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra
o vento?
Ah! Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas...
essa chama de vida - que transcende a própria vida
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.


[Mário Quintana]